ISLÃO EM ANGOLA: Hassan afirma que divergência entre irmãos condiciona a legalização do Islão em Angola

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Tendo em conta a fraca informação relacionada com o Islão em Angola e os perigos de terrorismo perpetrado por alguns elementos que se identificam com a doutrina fora do país, a nossa equipa de reportagem efectuou este mês uma entrevista com o senhor Hassan Luís Vaz Salvador, natural de Luanda, nasceu professando o Islão por influência de seu pai que por sinal é um dos cofundadores dessa religião em Angola.

Hassan é um dos efetivos da marinha pertencente o 7º Comando de fuzileiros, porém, aguarda do seu reenquadramento. Dentre vários assuntos, foram abordados a saúde da religião no país, a segurança Nacional e as razões que levam essa denominação a não legalização.


Por Isidro Kangandjo

FACTOS DIÁRIOS: Quem é o nosso entrevistado?

HASSAN L.V. SALVADOR: Chamo-me Hassan Luiz Vaz Salvador, Vaz é o sobrenome da minha mãe e Salvador é o sobrenome do meu pai, nasci em Luanda, município do Cazenga no dia 8 de Junho de 1980.

Socialmente, sou membro da marinha, mas, por razões alheio à minha vontade, estou aguardando da resposta dos órgãos de tutela para o meu reenquadramento.

FACTOS DIÁRIOS: Como entra no Islão e se tornar um Muçulmano?

HASSAN L.V. SALVADOR: Eu me tornei um Muçulmano através dos meus pais, porque, o meu pai é um dos cofundadores do Islão em Angola, ele chama-se Abdullahi Joaquim Pandi Salvador, é natural do Nzento, província do Zaire. O meu pai saiu muito cedo do país e quando regressou veio acompanhado com a esposa que é a Fátima Domingos, essa mulher, na comunidade Islâmica a consideramos  como a nossa primeira a Mãe por respeito. Eu nasci no ventre da segunda mulher de meu pai chamada Esperança Sebastião Vaz, por esta razão, digo que eu nasci no Islão porque os meus pais se converteram no Islão antes de mim ter nascido.

FACTOS DIÁRIOS: O Islão entra oficialmente em Angola em que ano?

HASSAN L.V. SALVADOR: Entra oficialmente nos anos 80, quer dizer que este foi o ano em que o governo começa a tomar a peito e controle da religião uma vez que nós somos também muito mal falado pelo mundo mas, no ano de 1967 o Islão já existia no nosso país.

FACTOS DIÁRIOS: Como te sentes ser um muçulmano?

HASSAN L.V. SALVADOR: Ser Muçulmano é uma dádiva e um favor. De lembra que todo mundo pode ser um Muçulmano, mas ser crente do Islão não é para qualquer um. Ser um Muçulmano é uma outra etapa, um Muçulmano vive em paz porque o Islão recomenda o bem e proíbe o mal.

Se alguém seguir o que está dentro do Alcorão e os mandamentos do profeta Muhammad, você já está salvo, ter dinheiro ou não, você já vive uma vida tranquila por saber que tenho um livro árbitro que está a me orientar.

FACTOS DIÁRIOS: Temos acompanhados algumas pessoas que efetuam o terrorismo em vários países em nome de Alláh. Como tem acompanhado essa situação, será que se trata de uma doutrina para poder efetuar esses assassinatos em nome de Alláh?

HASSAN L.V. SALVADOR: Todos nós temos seguidos isso nos outros países e consideramos uma atitude vergonhosa, mas gostaria de dizer que eles não são Muçulmanos, apenas se infiltram dentro do Islão para efectuar práticas bárbaros e manchar a religião.

O profeta Muhammad disse “quem morrer a testemunhar que não há Deus ou não há dignidade verdadeira que merece ser adorado excepto Alláh que é Deus único e Mohammad é o seu mensageiro, entrará no Paraíso”.  Infelizmente, estes rebeldes pegam essa palavra para dizer que são Muçulmanos no sentido de manchar a nossa religião. O Muçulmano não é assassino, pelo contrário, cultiva a paz e o amor entre as nações.

FACTOS DIÁRIOS: O termo terrorismo Islâmico não mancha o bom nome da vossa religião?

HASSAN L.V. SALVADOR: Infelizmente mancha e sentimo-nos injustiçados quando apreciamos os filmes que retratam esses tristes episódios.

Ser Muçulmano não é ser terrorista. O Islão significa submissão a Deus, esta é a verdadeira explicação da palavra. Islão significa submeter perante as leis de Deus único. É isso que nós chamamos de monoteísmo e, todos esses profetas como Abraão, Jacó e Jesus filho de Maria, vieram de um monoteísmo puro. Infelizmente, pessoas às que vêm trazer uma outra versão de forma a sujar o bom nome do Islão. Queremos informar que pertencer ao Islão não é ser bombista e matar pessoas, o Islão é acima de tudo recomendar o bem e proibir o mal.

FACTOS DIÁRIOS: O senhor é também professor de Árabe e do Islão em Angola, nessa escola a maioria são cidadãos angolanos ou estrangeiros e quais são as idades?

HASSAN L.V. SALVADOR: Nas três escolas que leciono, a maioria são angolanos que se converteram no Islão com as idades de adolescência e juvenil.

Eu, particularmente, prefiro ensinar crianças porque os mais velhos têm muitas ocupações. As crianças merecem ser instruídas para um comportamento que não coloca em causa a segurança pública, elas devem ser ensinadas às boas condutas quando estiverem diante de um mais velho e um exemplo para a sociedade. Felizmente, tenho estudantes que se adaptam rapidamente.

FACTOS DIÁRIOS: Quais são as línguas que são ensinadas nestas escolas?

HASSAN L.V. SALVADOR: Nós ensinamos o Português e o Árabe para que os estudantes percebam a origem do Islão sem dificuldades. Aliás, é isso que nós recomendamos às outras mesquitas no sentido de pregar apenas o português e o Árabe para que os fiéis não tenham dificuldades em perceber o Islão.

FACTOS DIÁRIOS: Senhor Hassan, como está a saúde do Islão em Angola?

HASSAN L.V. SALVADOR: Entre nós, os muçulmanos, estamos bem mas não é bem 100% porque, ainda, há aquelas divergências de duas comunidades entre a CISA e a COISA, essas comunidades estão a fazer confusão. Chamo de confusão porque eles levam aquilo por lado pessoal, se assim não fosse, um dos dois teriam que se submeter ao outro.

Por exemplo, se eu fosse Presidente de uma das comunidades, quer seja da CISA ou COIA, o meu objetivo seria legalizar o Islão porque ainda não está legalizado oficialmente em Angola, embora temos autorização do governo de realizar as nossas actividades. Acho eu que esse é um calcanhar que precisamos de ultrapassar.

FACTOS DIÁRIOS: Porque razão o Islão não é legalizado?

HASSAN L.V. SALVADOR: A demora surge por causa do comportamento de alguns irmãos que são Muçulmanos e que esse comportamento está afetando todos nós. No princípio, havia três comunidades e, neste momento, temos duas.

O mais velho Djeketé, pela experiência de vida e de alguém que contribuiu muito no Islão em Angola, decidiu se afastar. Esse senhor, por sinal, ajudou-me muito na formação e peço a Alláh que lhe abençoe e lhe dê longos anos de vida.

FACTOS DIÁRIOS: Quais são os nomes dos líderes dessas  Comunidades em divergências?

HASSAN L.V. SALVADOR: As duas Comunidades têm como líderes Zola Mateta, presidente da CISA cuja a sua direcção se encontra no Palanca, Município do Kilamba Kiaxi e temos o senhor Cher Humar Altino Miguel, presidente da COIA com a sede no São Paulo na Comissão Administrativa da cidade de Luanda. A minha inquietação é a seguinte: o Islão recomenda a paz, recomenda o bem e proíbe o mal, o Islão recomenda estar juntos na congregação, porque razão eles não se unem?

FACTOS DIÁRIOS: Qual é a tua visão sobre esse ponto que referiu?

HASSAN L.V. SALVADOR: No meu ponto de vista, eles não se unem porque ambas partes têm os seus interesses pessoais, eu não tenho que esconder isso, se sou presidente de uma comunidade e pretendo legalizar o Islão para que amanhã o governo possa nos abrir outras portas, seria bom que alguém pudesse recuar.

Nós temos o desejo de construir universidades, construir hospitais cá em Angola porque nós vimos que as nossas Mulheres quando vão para um hospital público do nosso país, na lei islâmica, o homem não pode tocar na mulher quando estiver a dar luz, é preciso que seja uma doutora ou enfermeira a fazer. Essa doutrina acontece também com o homem quando quiser ser tratado num hospital. Por essa razão, precisamos de construir também hospitais e escolas que visam beneficiar toda a comunidade angolana. Esses projectos, só serão realizados com a legalização do Islão.

 

FACTOS DIÁRIOS: Quer dizer que a falta de legalização está a condicionar muito na execução de projectos sociais do Islão em Angola?

 

HASSAN L.V. SALVADOR: Muita coisa! Por exemplo, nós queremos construir mais internatos, já temos um internato em Viana e a ideia é de fazer muitas coisas para o benefício da sociedade angolana e não só dos muçulmanos. Para isso, precisamos ser unidos e mostrar  ao governo que somos bem comportados.

FACTOS DIÁRIOS: Qual é a resposta do Governo quanto ao processo de legalização?

HASSAN L.V. SALVADOR: O Governo sempre diz estar com as portas abertas, mas com uma condição. Precisam que nós sejamos unidos e eu estou ansioso porque preciso que o meu filho amanhã seja um bom Muçulmano, preciso que o Islão se espalha em todo território nacional, por isso, um gesto de duas Comunidades dizer que tu podes passar em frente, já é uma boa intenção, você abriu uma grande porta porque os dois, neste momento, estão a se bloquear e quem está a sofrer somos nós porque sabemos que onde há luta de dois elefantes, quem sofre é o capim.

FACTOS DIÁRIOS: Neste caso, já pensaram efetuar uma assembleia no sentido de eleger um líder tirado no meio entre a CISA e a COIA?

HASSAN L.V. SALVADOR: Dentro dessas duas comunidades, tem uma que pretende realizar a Assembleia Geral. A COIA quer convocar uma Assembleia e realizar o Congresso, infelizmente não sabemos se é verdade ou é mentira mas, ouvi de um dos responsáveis da COISA que tentei falar  com ele a dias sobre o assunto.

Já falei com os responsáveis dessas duas comunidades que nós não queremos confusão em Angola porque os nossos pais lutaram para que o Islão se estendesse cá em no país e queremos que essas recompensas possam lhes seguir. Nós não estamos a pedir liderança, não estamos a pedir ser funcionários e ter uma função ali.

Estamos a pedir que eles sejam sinceros e expliquem os principais motivos de divisão. Todos esses autores  que querem ser líderes, eu vi eles a entrar no Islão, por isso, estamos no cinema assistindo o filme deles e aguardar o fim.

Recentemente, falei com o Vice-coordenador da COIA e informou que fica bem claro que o senhor Mateta não quer reconciliação entre Muçulmanos. O meu amigo Nabi que é o filho de um dos primeiros Muçulmanos em Angola que lutaram tanto com o meu para que essa religião fosse se alastrar em Angola, me disse que já não existe problemas e a junção seria uma realidade. Fiquei feliz, falei com o Presidente da CISA e concordou que vão se juntar. Eu como tenho um grupo no WhatsApp, queria lançar uma mensagem a dizer que já está tudo bem, mas, depois, fomos ouvir que ainda não houve entendimento entre eles. Os mesmos foram até ao Instituto Nacional dos Assuntos Religiosos (INAR), sentaram e lhes mandaram para se unirem, infelizmente entre eles não se entendem.

FACTOS DIÁRIOS: O que está em causa essa divergência entre a CISA e a COIA?

 

HASSAN L.V. SALVADOR: É aquilo que eu acabei de dizer, se o interesse é só para Deus, um dos dois tem que abaixar, mas se o interesse não é para Deus e tem a ver com os interesses pessoais, então essa a guerra vai continuar. Não ficará bom para nós os Muçulmanos, principalmente em frente do nosso governo.

Nós dissemos que somos os melhores e eu digo que sim, somos os melhores, mas com este tipo de comportamento, como o governo vai nos dar confiança? Como o governo vai quiser abrir mais portas de bem para nós? Porque nós, às vezes, falamos que o governo não quer reconhecer o Islão, mas a verdade é que o Camarada Presidente João Lourenço, tem a vontade de legalizar o Islão, mas o problema está entre nós.

Nós não podemos ser conforme as outras religiões, o Islão não deve ter dois líderes e duas alas aqui em Angola, isso não vai existir e que fica bem claro que eu vou lutar para que tenhamos só uma comunidade e um líder para conseguirmos manter o controlo da situação do Islão dentro do nosso país.

FACTOS DIÁRIOS: Todos estes que estão em divergências, são cidadãos angolanos ou há um estrangeiro?

HASSAN L.V. SALVADOR: Esta é uma pergunta importante, mas eu diria que nas duas comunidades tem angolanos e tem estrangeiros porque o Allah disse juntar-se numa só acorda e não se separem. Nós, no Islão, não temos aquilo de dizer que este é Guineense por isso não pode ficar em frente ou é congolês ou maliano não pode, no Islão, nós juntamos forças com todos os malianos, portugueses, indianos e libaneses. Mas é preciso ter alguém que domina a língua portuguesa para facilitar a comunicação com nosso governo, por isso, um nato seria melhor e o  estrangeiro com dificuldade de língua ficasse na área administrativa desde que seja fiel e que nós soubemos que tem bom comportamento.

FACTOS DIÁRIOS: De acordo com as informações que temos recebidos, dá conta que vocês têm uma conta para ajudar pessoas necessitadas, mas há muitas mesquitas onde se regista pessoas a passarem mal, como tem sido a gestão desse meio financeiro?

HASSAN L.V. SALVADOR: É verdade que há muitas mesquitas que encontramos membros a passar por  necessidades. Agora afirmar que há   desvio de fundos, não tenho a certeza, por falta de provas terei dificuldades de falar sobre o desvio de dinheiro. Mas há muita gente carentes em frente das mesquitas a pedirem ajuda, por isso, peço sempre a Deus  que me dê possibilidade para eu ser conforme o meu pai que com os seus meios financeiros  contribuiu muito para ajudar pessoas desfavorecidas. Ele não gostava de ver ninguém a chorar por causa da fome.

Uma das coisas que peço ao Allah que  me abra as portas, que dê riqueza para eu poder contribuir e acabar com essas situações que muçulmanos atravessam de ficarem nas portas a pedirem ajuda que nem sempre chega. O mês de Abril é considerado o mês que estamos de Ramadã, há um dinheiro que nós demos do Zakat  que serve para ajudar os necessitados.

Actualmente, por causa da crise financeira e do número elevado de pessoas necessitadas, fazemos algum esforço para minimizar a situação que aflige os necessitados.

 

FACTOS DIÁRIOS: Antes da crise quanto disponibilizavam?

HASSAN L.V. SALVADOR: Antes da crise financeira, algumas pessoas ofereciam aos necessitados 100 mil a 200.000 kwanzas para eles trabalharem e crescerem financeiramente. É uma forma de ensinar os membros a serem empreendedores para amanhã quando eles tiverem também dinheiro, possam pagar com a mesma moeda. Não pagavam juro mas eram aconselhados a gerir de forma racional para se tornar independente financeiramente.

FACTOS DIÁRIOS: Neste caso esse valor do Ramadã não tem tido muita transparência naquilo que deveria ser?

HASSAN L.V. SALVADOR: Não é bem assim que não tem tido muita transparência é que nós, por exemplo, as nossas portas estão muito fechadas pelo facto de não sermos oficialmente legalizados, porque, se fôssemos legalizados, teríamos muitos padrinhos Muçulmanos residentes no estrangeiro a partir da sede internacional e estes nos dariam grande ajuda. Por outro lado, não sei se as pessoas que estão em divergência, recebem coisas de fora ou não. Nós, enquanto membros, só desconfiamos…

FACTOS DIÁRIOS: Será que eles recebem por isso é que nunca largam o poder repartido em dois?

HASSAN L.V. SALVADOR: São apenas desconfianças, não há provas, porque se houvesse eu seria o primeiro a fazer frente nisso e dar solução porque eles sabem que sou contra a isso, sou contra pessoas que desviam fundos dos Muçulmanos.

FACTOS DIÁRIOS: Existe actualmente quantas Mesquitas a nível de Luanda?

HASSAN L.V. SALVADOR: Se a memória não me atraiçoa, acho eu que já passam de 100 Mesquitas.

FACTOS DIÁRIOS: Embora que o Islão seja uma religião do bem mas os comportamentos são diferente e vocês têm trabalhado na segurança do país quanto a este aspeto?

HASSAN L.V. SALVADOR: As mesquitas todas elas são controladas com o sistema de câmara de vigilância. No princípio,  fui uma das pessoas que foi contra o  sistemas de câmara de vigilância nas mesquitas, e, ao correr do tempo percebi que era necessário o  sistema de segurança para controlar também as pessoas que entram e saem porque não queremos acção semelhantes de outros países. As mesquitas têm acompanhamento de angolanos que trabalham no processo de acompanhamento dos fieis. Estamos todos a trabalhar na estabilidade do país e na preservação do bom nome do Islão em Angola. Quero reforçar mais uma vez que as mesquitas devem usar simplesmente o português e traduzir em Árabe. Fazendo isso, todos os membros Angolanos se apercebam daquilo que está a ser dito.

Imagina a haver um ato de vandalismo ou terrorismo e depois vem um decreto  obrigar que todas as Mesquitas sejam fechadas? Claro que sairemos prejudicados eu e a minha família, não conseguiremos de ir todas as sextas-feiras à mesquita, por isso, é a missão de todos trabalhar na segurança do país e no bom nome da nossa religião.

FACTOS DIÁRIOS: Vem aí uma grande incógnita, os cristãos preferem  o Sábado e o Domingo, porque o Islão prefere a sexta-feira?

HASSAN L.V. SALVADOR: Sexta-feira porque é o dia que Deus terminou de criar o mundo e será na sexta-feira que Deus vai destruir o mundo. Deus criou o mundo em sete dias mas se nós entrarmos aqui a falar sobre isso, serei obrigado a mexer na Biblioteca, conforme estás ver, aqui está cheio de livros e poderemos perder muito tempo para fundamentar.

Talvez poderá ser o próximo tema para não criarmos dúvidas aos leitores deste portal.

FACTOS DIÁRIOS: O Islão é contra Jesus Cristo?

HASSAN L.V. SALVADOR: Não. O Islão não é contra Jesus Cristo, Jesus, para nós, é alguém de muito valor e muito respeito. Ele é um profeta e só não concordamos que seja tratado de trindade que são Deus pai, Deus filho e Deus Espírito Santo.

Aqueles que dizem que Jesus é profeta, estão certo, nós concordamos com eles porque Deus não pode nascer, nascer é uma qualidade que Deus colocou dentro do ser humano. Deus colocou o espírito Santo no ventre da Maria, isso não significa dizer que Jesus automaticamente passa a ser filho de Deus.

Jesus não foi criado de uma forma milagrosa como Adão e Eva. Adão foi criado pela terra argilosa, vem do lodo, Deus começou a fazer com as suas próprias mãos até soprar na boca dele e começou a ter um suspiro de vida. Porque razão os Cristãos falam que Adão é filho de Deus? O Adão estava a dormir Deus tirou a parte da costela esquerda e fez com ele a Eva porque é que nós não dizemos que a Eva é filha de Deus?

FACTOS DIÁRIOS: Quer dizer que nada contra mas só concordam se alguém tratar jesus como um profeta?

HASSAN L.V. SALVADOR: Só como o profeta, mais do que isso não concordamos. Jesus não veio como um profeta para a humanidade toda. Jesus veio para o povo de Israel porque Deus mandou um profeta para cada povo, senão  apenas Mohamed, o último dos profetas que veio numa missão para o mundo inteiro.

FACTOS DIÁRIOS: O Muçulmano pode votar?

HASSAN L.V. SALVADOR: Muçulmanos não votam. Este também é um pormenor muito importante porque acredito eu que há muitos dos nossos irmãos Muçulmanos que quando chega a hora de voltar eles querem voltar para eleger um Presidente da República. Nós só podemos votar entre nós quando queremos escolher o nosso líder que poderá dirigir os destinos da Comunidade Islâmica.

Mas ir votar com cartão eleitoral para escolher o Presidente X ou Y, o alcorão condena isso, que fica bem claro que todo Muçulmano que vai voltar, está a fazer  contra o Islão. O Islão nos ensina que se o presidente não é bom ou não é justo, então vocês obedece mas reclama os teus direitos a Deus porque ele tem a autoridade de meter e de tirar.

FACTOS DIÁRIOS: Nós acompanhamos países Árabes a votarem…

HASSAN L.V. SALVADOR: Isso é por falta de conhecimento porque o Muçulmano que tem conhecimento não vai votar alguém para ser presidente do país.

FACTOS DIÁRIOS: Não aconselharia um membro do Islão a participar nas  manifestações para exigir as melhores condições de vida?

HASSAN L.V. SALVADOR: Também não aconselharia porque as manifestações que têm corridos no nosso país é contra o MPLA e quando se fala do MPLA se fala do Governo em exército sob comando do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço e, considero contra porque todas as autoridades são escolhidas por Deus e não podemos nos revoltar por quem foi escolhido por Ele.  Por isso, ninguém pode estar contra aquele que foi escolhido por Deus.

Talvez alguém vai dizer que os países Árabes também se manifestam contra o presidente, eles fazem aquilo que no Alcorão não aconselha. Tudo aquilo na religião não existe não tem nem uma parte do Alcorão que diz que você tem que fazer frente ao teu presidente, aliás, até o profeta Mohammad nos aconselha, “o melhor líder é aquele que tem pena para com o seu povo e, se ele não tem essas qualidades, orem por ele para mudar o comportamento e, se insistir, suplica a Deus e ele fará justiça”.

FACTOS DIÁRIOS: Temos informações oficiais de que o senhor é membro da Marinha de Guerra, concretamente fuzileiro, como está indo o seu processo de reenquadramento?

HASSAN L.V. SALVADOR: Estás certo, sou fuzileiro, não digo que fui, sou fuzileiro até hoje porque foram eles próprios  que diziam lá na ilha da Cazanga quando fomos fazer o curso, “uma vez fuzileiro, fuzileiro para sempre” uma vez que o fuzileiro não diserta o fuzileiro só se ausenta à procura de melhores condições de vida, eu também fiquei  por muito tempo ausente dos fuzileiro por causa dos estudos, estava a estudar fora porque precisava de aprender mais línguas.

Quando voltei, procurei forma de tentar regularizar o meu problema, mas não está a ser possível. Muitas pessoas me iludiram, por enquanto  não posso citar nomes dessas pessoas que me deram falsas esperanças de ver o meu problema resolvido, infelizmente, há três anos não dizem mais nada.

FACTOS DIÁRIOS: O senhor tem uma identificação da Marinha de Guerra?

HASSAN L.V. SALVADOR:  Eu sempre ando com o meu NIP que é 304393, alguns dizem que fui licenciado, se assim foi, pelo menos eu estaria na Polícia, o meu espanto é que  a minha licenciatura até hoje não aparece.

 

De acordo com a pesquisa feita, eu sou o único nessa situação, não sei se é por facto de eu ser Muçulmano ou porque as pessoas acham que pelo facto de falar várias línguas vou tirar o lugar dessas pessoas.

Sempre vou para marinha de guerra resolver o meu problema tentar regularizar, infelizmente me dão muitas voltas e os colegas que foram licenciado  receberam um dinheiro de 6 meses e, na minha vez, nem o dinheiro aparece e nem a licenciatura.

FACTOS DIÁRIOS: Ficou por quanto tempo na Ilha da  Cazanga?

HASSAN L.V. SALVADOR: Fiquei um ano e 6 meses e  pertenço no sétimo curso de Comando dos fuzileiros. Eu acho que são os melhores cursos porque os melhores estão entre o quinto, sexto e o sétimo curso onde houve os grandes operativos.

A minha primeira missão foi no Congo Democrático, fui com 18 anos de idade e já era tradutor da SADEC da terceira companhia, na altura, fomos render a segunda companhia que era a companhia do Comandante Vaz, acho que agora é o Comandante de Cabinda.

FACTOS DIÁRIOS: E o que você gostaria que o governo fizesse sobre o teu processo?

 

HASSAN L.V. SALVADOR: Primeiramente eu gostaria que o governo deixasse a todos meus inimigos que barraram a minha porta com vergonha, mostrar quem merece, gostaria voltar às forças dos fuzileiros, não importa a patente ou sem patente, eu estou disposto para contribuir no meu país. Eu sou fuzileiro e falo muitas línguas, porque o governo não me aproveita? O governo gastou dinheiro vendendo petróleo e diamante para nos formar só para eu ficar em casa? Eu estou aqui e preciso de contribuir e fazer aquilo que sei fazer. Eu amo e sonho continuar a ser considerado um quatro da Marinha.

 

FACTOS DIÁRIOS: Onde fica a ilha da Cazanga?

HASSAN L.V. SALVADOR: Ilha da Cazanga está situada na Comuna do Mussulo ou simplesmente Ilha do mussulo.

FACTOS DIÁRIOS: Para terminar, gostaria que deixasse uma mensagem para comunidade Islâmica e dos cidadãos angolanos de forma geral.

HASSAN L.V. SALVADOR: A primeira mensagem vou dirigir aos dois grupos que estão a lutar para liderança. Nós somos o povo e vocês são dois elefantes, é o momento de analisarem com muita calma a posição que estão a levar o Islão em Angola porque, por causa de vocês, todos nós estamos a sofrer. Camarada Zola Mateta, camarada Cher Humar Altino Miguel, vocês têm 72 horas para refletir neste problema, sentarem e unirem-se e irem ao Instituto Nacional dos Assuntos Religiosos (INAR) para poder legalizar o Islão cá em Angola ou caso contrário os Muçulmanos vão tomar outras providência.

 

Segundo, o conselho vai para os jovens Muçulmanos, para se afastar das marchas e manifestações contra as entidades do Estado porque nenhum Muçulmano faz frente ao seu Presidente. Se achas que o Presidente não é bom, pede a Deus que lhe tire do poder é assim que está escrito na sagrada escrituras. Por outro lado, quero pedir aos nossos irmãos muçulmanos no sentido de mostrarmos bom comportamento, porque só as boas virtudes poderão abrir muitas portas para a legalização do Islão em Angola.

O último será o pedido a Sua Excelência Presidente João Lourenço enquanto Comandante em Chefe Estado Maior no sentido de rever a minha situação de regresso à Marinha de Guerra porque todos nós, enquanto jovens, precisamos fazer a nossa carreira servindo a pátria e fazer cumprir as suas orientações.

Que Allah abençoe todos que acompanharam esta entrevista e desejo muita saúde, muita prosperidade nesse momento ruim que a humanidade está a passar.

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