FOME HUAMBO: Governadora tem um mês para declarar o estado de emergência

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A falta da chuva no período 2020-2021 no Planalto Central, já está a surtir efeito negativo na vida da população. Os produtos secaram e as lavras se tornaram deserto, como resultado, a fome já é uma realidade no seio das famílias que são activas na agricultura.


Por Isidro Kangandjo

Nas aldeias do Cahululu, Dango, Tchipatchia, sayunge e Ussolo, ambos pertencentes ao município sede do Huambo, passam em situação já mais vista mesmo no tempo de conflito. Os animais domésticos começaram a morrer por falta de alimentação e a desnutrição no seio dos familiares já é uma realidade.

Nessas aldeias que a nossa equipa de reportagem passou, não conhecem o rosto do administrador muito menos da Governadora Lotti Nolika, neste momento, os filhos se dedicam na caça de ratos enquanto o pai faz o trabalho de moto-táxi para comprar alimentação. “Para os homens que não têm motorizada, os familiares estão mesmo a passar mal. Pedimos que o projecto Kwenda, os Jovens Unidos e Solidários quer o programa de combate a fome e a pobreza chegue também aqui”, lamentou o senhor Victor Vinevala.

Ernesto Yamba Yamba, um dos empresários de referência na província do Huambo, fez saber ao Factos Diários que é chegado o momento da Governadora anunciar o estado de emergência para salvar a vida de muitos cidadãos. No município da Caála, o famoso município celeiro de Angola, o quilo de fuba está a custar 350 Kwanzas e nas aldeias custa 400 kwanzas, a maior tristeza é que não há dinheiro para comprar a própria alimentação.

Na vila sede do Município da Caála, é visível o número elevado de pedinte que, segundo os mais velhos, a taxa ultrapassa o período de guerra e questionam aonde anda os 25 milhões de kwanzas ligados ao combate a fome e a pobreza que o Governo Central disponibiliza todos os meses nas administrações municipais.

Para os aldeões das encostas do rio Cunhogãmua, estão aproveitar as águas do mesmo rio para agricultura, mas temem os seus produtos serem invadidos com as águas das chuvas de Setembro. “Estamos com a fome e pedimos que o governo faça alguma coisa enquanto é cedo”, alertam caálenses.

Nas aldeias de Mangumbala, Ngunji, vikassa, Calué assim como Caála velha, a população em si perdeu a esperança de vida. “Nós estamos a vender tudo o que é de valor para comprar a comida. Neste momento, quero tirar as chapas para vender e comprar alimentação para os meus filhos”, disse uma viúva de 29 anos de idade e sustenta 4 filhos.

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