Desordem ensombra mercado da Mabunda

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A gestão dos mercados por parte da Comissão Administrativa de Luanda tem vindo a criar intrigas dentro das Administrações distritais onde existam mercados, como é o caso da Samba


Por Redação do Factos Diários

A construção do mercado da Mabunda, no então Município da Samba, agora reduzido a distrito urbano, teve lugar, para atender o grito de socorro da população e evitar a venda desordenada na praia que deu nome ao mercado.

Erguido pelo governo provincial de Luanda, a administração do mercado, com o beneplácito de algum sector da administração do distrito da Samba e da Comissão Administrativa de Luanda, estão a permitir que o mercado não arrecade dos vendedores, o suficiente para a manutenção do referido mercado, o que faz com que haja, no interior do mesmo, fungos, verdetes, águas paradas, entre outros problemas, levando os populares a abandonar as bancadas, para realizar suas vendas na parte externa do mercado em pleno “convívio” com os amontoados de lixo.

A constatação foi feita por uma equipa de reportagem do jornal Manchete que, no local, constatou que o mercado continua às moscas, em contraste com centenas de vendedores de produtos diversos a exercer sua actividade fora do mercado. Alguns desses vendedores, no entanto, transferiram-se para um outro mercado de iniciativa privada na mesma zona.

Em relação aos rumores que aludem ao facto do mercado funcionar à margem da lei, Arménio Alexandre Lopes, seu proprietário, entende que se fosse verdade, “o ministério do comércio, a secretaria de estado da economia, representantes do ambiente, inclusive a presidente da comissão administrativa de Luanda, não se fariam presentes no acto da inauguração”.

Lembra, por outro lado que, o local onde foi erguido o marcado era uma fábrica de congelação de peixe. No seguimento de um incêndio que destruiu aquela infraestrutura, Arménio aproveitou avançar com a construção do mercado, num investimento que diz ter custado mais do que o montante inicialmente previsto.

“Tudo isso está legalizado, porque eu não iria gastar dinheiro para fazer algo ilegal. Tenho a minha licença desse empreendimento, é um mercado próprio, tenho os meios de captura e não tenho nada a ver com o mercado do Estado”, afirma.

Quanto a influência que terá exercido sobre as vendedoras para a sua transferência para o mercado privado, realçou que “as peixeiras são da Aquapescas, vendem no meu estabelecimento e não pagam nada. Eu trabalho com mais de duzentas quitandeiras, que recebem o produto na empresa, a crédito, vendem mesmo aqui no meu mercado e só depois é que me pagam”.

Arménio realça a exigência que administração do mercado impõe em relação a higiene e sanidade, quer no interior como na parte externa do seu mercado, que conta com participação directa de todas quitandeiras.

Realça igualmente o bom relacionamento com as instituições locais do Estado, onde afirma haver respeito mútuo. “Eu respeito e eles me respeitam. Só teres uma ideia, em muitas ocasiões disponibilizo os meus camiões para a recolha do lixo”.

A administração do distrito

A equipa de reportagem do jornal Manchete, abordou o administrador do distrito da samba, Gabriel Júlio, para se pronunciar sobre um conjunto de questões ligadas ao funcionamento organizacional do mercado em referência, para além das denúncias públicas que dão conta de que Hélder Balsa, administrador cessante, terá feito negócio consigo próprio, fazendo alusão a um eventual envolvimento do mesmo, na cedência de espaços, para actividade mercantil junto ao mercado da mabunda.

 

Sobre o assunto, a administradora adjunta para a área financeira, económica e orçamental, Francisca Mendes remete a confirmação ou não de tais denúncias a uma prévia autorização dos seus superiores hierárquicos, devido a sensibilidade que o assunto suscita.

 

Conflito de interesses

Este Jornal constatou in loco a maneira como o esquema é montado e colocado em prática ao nível do mercado da mabunda. Em rigor, as pessoas que coordenam as actividades dentro do mercado são as mesmas que controlam os vendedores que fazem comércio fora do mercado.

No fim do dia todos pagam taxas de ocupação de espaços de venda. Contudo, a diferença recai sobre as informações obtidas no local, que reforçam a ideia de descaminho dos valores arrecadados no exterior do mercado.

Até antes das mudanças na administração do distrito da samba, a colheita em receitas rondava entre 120 e 250 mil kwanzas diários.

FONTE: JORNAL MACHETE

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