46 ANOS DE INDEPENDÊNCIA: Professor ambulante, aluno vagabundo

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Opinião de Dr. Faustino Moma Tchipesse

Professor, pesquisador e escritor

Faustino Moma Tchipesse- Licenciado em Pedagogia pela Universidade Católica de Angola  (UCAN)- Instituto Superior Dom Bosco (ISDB). Especialista em Administração, Gestão de Qualidade Pedagógica (AGQP), Graduado em elaboração de Projectos de Investigação e Desenvolvimento (CEPID), pela Universidade Agostinho Neto-UAN. Professor e investigador.Email: [email protected]

A educação é importante demais para ser deixado apenas nas mãos dos professores. Grande parte dos docentes nunca será capaz de compensarem os estrangulamentos provocados pelos péssimos professores, nem devemos esperar isso deles. Os professores ambulantes não agem com razão, nem fazem recurso a justiça e á verdade, sem razão a decência corre o risco de se perverter em fundamentalismo que separa e destrói. O professor é aquele que exerce diversas funções no processo educativo. Ele realiza diferentes tipos de actividades que buscam educar e ensinar um grupo de pessoas em ciências, artes, teorias e/ou técnicas especificas e outros tipos de conhecimentos.

Trata-se de uma das profissões mãos importantes da sociedade, uma vez que a maioria das demais profissões dependem do professor para formar pessoas e profissionais capacitados. Na actualidade, contudo ser professor não se limita apenas a transmissão de conhecimentos sobre determinado assunto. O professor deve ser justo e sincero, deve evitar as arbitrariedades, os tratamentos de favor, as humilhações, as ofensas, as imposições. Sendo assim, o aluno deve reagir com sinceridade, docilidade e obediência. O real papel do professor envolve uma responsabilidade bem mais complexa que consiste em formar o aluno em uma perspectiva integral que engloba os aspectos sociais, afectivos e psicológicos.

Para isso, é preciso ter experiências, cultura e conhecimento plural, a fim de tornar o aluno capaz de responder de forma critica e autónoma aos desafios da sociedade em transformação constante, seja no âmbito pessoal ou profissional. As exigências para se tornar um professor dependem da actuação profissional. Para ser professor de alguns cursos profissionalizantes ou livres por exemplo não é exigido a formação superior, mas é essencial o conhecimento sobre o assunto e, também, experiências com técnicas e metodologias de ensino.

Para o subsistema do ensino pré-escolar a Lei n.º129/17 de 16 de Junho defende que o individuo que trabalha com as crianças de (6 aos 11 anos) deve apresentar um certificado do ensino médio ou superior na área de instrução primária, educadora de infância ou pedagogia. Para ser professor do I ciclo do ensino secundário, é fundamental o individuo apresentar o certificado do IMNE, justificando a especialidade que teve e, consequentemente actuar de acordo com aquilo que o seu certificado espelha. Enquanto o II ciclo do ensino secundário exige o diploma do ensino superior, seja em ciências sociais, naturais, humanas ou técnicas, ademais as especificidades daquele subsistema não encontra coerência formativa dos docentes em relação o plano curricular das escolas de formação dos professores a nível das instituições do ensino superior. Todavia, os directores dos liceus e complexos têm vindo a recorrer as estratégias de adaptação dos professores tendo em conta as diferentes áreas de formação dos agentes da educação que actuam nas escolas do ensino secundário.

E para ser professor do ensino superior é necessário que o profissional continue sua formação académica com Mestrado e Doutoramento. Para ser professor que deseja actuar com gerenciamento de ensino e com desenvolvimento da nossa técnica de ensino-aprendizagem é necessário fazer um curso ligado a ciências da educação (agregação pedagógica ou didáctica do ensino superior). Ser professor é uma das profissionais mais antigas e importante que já existiu e existe. Ser professor é ter em suas mãos o poder de formar uma sociedade mais humana e conhecedora do universo. As famílias nutrem confiança plena dos seus filhos nas mãos dos professores que tem em seu alcance o poder de formar cidadão dignos e íntegros com total certeza de que fizeram o seu trabalho da melhor maneira possível. Precisamos reconhecer em alguns professores o baixo nível da sua racionalidade, a estes á muito que lhes falta disciplina e idoneidade moral, ensinam os alunos a lhes temer em vez de lhe amarrem, esquecem que não é suficiente amar os alunos; é importante que eles percebam que são amados- a educação acontece através do amor e de um amor manifesto. Todavia, o professor deve mostrar aos alunos um amor que traduza desvelo com revelam os pais amorosos, com carinhosa preocupação, com confiança de amigo, com amor eterno, com o amor que se vive numa boa família.

Alguns professores são vistos como autênticos ambulantes, pois estes vivem pulando de ponto a ponto a procura de dinheiros em papel e moeda para cobrir as dispensas pessoas e familiares. A sua vida transformou-se numa viaje permanente de candongueiro, por causa da fraca política publica de empregabilidade no sector público e publico privado. O pula-pula dos professores denuncia a ideia que sustenta o princípio de desvalorização da profissão docente. A classe sempre reclamou diante dos órgãos de tutela a necessidade de revisão dos critérios de valorização desta nobre profissão, a discussão dos políticos sempre foi na base de uma vontade retórica sem precedentes nem estratégias para a sua efectivação, e tal preocupação ganhou repercussão com o imortal COVID19. A falta de condições e a falta de linhas sustentáveis para responder os critérios de valorização dos professores, fez com que os professores se reinventassem por conta das dificuldades e aqueles que colocaram o cérebro a funcionar tiveram de se posicionarem na condição de pedintes para sobreviver. O exercício docente é uma actividade remuneratória.

Os seus salários quase ou nada serve para resolução nas necessidades primarias, naquele vai vem apenas dos professores apenas resta a ultima possibilidade de ajustar a vida e sobrevier da guerra promovida pela fome e dos altos custos que os seus alunos políticos definiram para ele. Esta condição faz parte de alguns rasgos da pessoa humana. Os professores são personagem principais do processo de ensino-aprendizagem, devem estimular desenvolvimento sustentável, porém, esse desenvolvimento não deve estar apenas dentro dos muros das escolas, os ensinamentos passados dentro de uma sala de aula, podem ultrapassa barreiras indiscutíveis. Ser professor, pressupõe de antemão assumir um compromisso de camaradagem com as práticas sócias. E para isso, o professor deve trabalhar com técnicas e metodologias que anunciam a participação efectiva dos agentes envolvidos neste processo, sendo assim, é fundamental os estimular os principais desafiadores do pensamento crítico e reflexivo dos alunos, porém tal intenção permite a formulação de hipótese a respeito do conhecimento científico elaborado.

Ora, estamos a discutir sobre a metamorfose dos professores. No nosso entender estes, nos últimos dias se transformaram em ambulantes, pois, vagueiam e deambulam pelas ruas de ponto a ponto, cruzam as estradas, abraçam os Kupapatas (Moto táxis), dialogam com os cobradores de táxi, trocam moedas em kwanza para responder os compromissos de trabalho de uma e outra escola onde o mesmo assumiu-se como garimpeiro de aula. Este adjectivo itinerante, vem sustentar a ideia de que o professor ambulante é aquele que não tem tempo de planificar de forma minuciosa a aula, não escreve artigos e não publica livros por falta de tempo é insaciável, pois o pouco salário que aufere, faz que com se comprometa com outras instituições nos períodos em que estaria a cumprir o tempo não lectivo da aula (reservado para preparação efectiva e eficiente da aula). Esta condição sofrível dos professores leva-nos a admitir que alguns professores compram e vendem conhecimento a um preço pituresco, pois a estes falta tempo de organizar com eficácia conteúdos que permitem transformar o aluno em um sujeito critico e cognoscitivo.

O professor ambulante é aquele não permanece muito tempo na instituição, entra a correr e sai correr, vive atormentado com o  tic tac do relógio e pede com douto a paragem por algumas horas do ponteiro do relógio para fazer cobertura e completar os trabalhos que tem em carteira, mas que  já passaram o seu prazo de entrega nas instituições em que está comprometido. O senário torna-se promíscuo no período de correcção de provas e preenchimento das mini pautas. Hoje, pratica do ping pong das notas  viralizou-se, o homem tornou-se incoerente, assumiu-se irracional por causa da má fé dos que definem as políticas publica da educação, sem esquecer que todos eles passaram nas alçadas dos professores. Na nossa visão minúscula, isso não passa de uma atitude contemplativa dos que deviam supervisionar tal prática.

O professor ambulante é como uma múmia que não consegue libertar-se das atrocidades que lhe levaram ao embaçamento do seu corpo da sua profissão, por ser assim, devemos deixar de fingir que estamos a ensinar, assim os alunos não fingirão que estão aprender. Precisamos optimizar o conceito aluno. A palavra aluno permite referir-se ao estudante ou ao aprendiz de uma determinada matéria. O aluno é aquele que se dedica a aprendizagem. Quando o professor não prepara correctamente a aula este, dá margem dos alunos aprenderem conteúdos que não tem utilidade pratica, isso fará com que eles se tornem em autênticos vagabundos com cabeça cheia, mais sem capacidade de análise critica e racional dos factos que problematizam a sua vivência. Ensinar deve ser o que guia a busca e o despertar para conhecimento a fim de reduzir as discrepâncias e promover a igualdade social. O professor não deve reforçar as desigualdades, não deve criar as incongruências por meio da falta de tempo de seleccionar conteúdos úteis. Ser professor não é um ganha pão, é uma vocação e, exige agir com amorovolezza . Na verdade a sala de aula, pode ocorrer a compreensão ou não do conteúdo pretendido, a adesão ou não a forma de pensamento mais evolutivo, a mobilização ou não para outras acções de estudo e de aprendizagem, deve anunciar a esperança de ver desabrochar do aluno um sorriso como sinal de autonomia, de liberdade social.

Este processo deve sempre remeter o professor a cumprir com dimensão escrupulosa o passo a passo da preparação da aula, não devemos nos afogar no trabalho até ao ponto de não termos tempo para prepara correctamente a aula. É importante saber que o desafio de ensinar a aprender permite a continuidade da aprendizagem. Então é preciso partir daquilo que o aluno já sabe, para isso é fundamental que os alunos aprendam a formular perguntas sobre o que querem aprender. Portanto, temos de aprender a aprender, aprender a desaprendera fim de organizar e relacionar as informações que já possuem com o que estão adquirindo.

Entende que ensinar e aprender andam de mãos dadas, quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Sem educação da sensibilidade da gestão do tempo lectivo e não lectivo, toda habilidade são tolas, sem sentido e sem precedência. Todos estes emaranhados ligados ao pula a pula dos professores foi motivado pelo peso salarial dos docentes, tanto nas escolas publicas, como nas escolas publico privadas, as remunerações recaem sempre no conceito de mais-valia, pois o que se recebe é sempre incompatível com o que se produz. Pode ser uma surpresa para o leitor, mas o professor concurçado o que ministra aulas nas escolas públicas do ensino primário ou secundário, na sua maioria tem um salário baixo, fruto da fraca valorização da classe docente.

Todavia, importa ressaltar que a rede publico privada emprega um pouco mais do que a metade da força de trabalho da classe docente a nível do País. Aliás a profissão figura entre as carreiras mais promissoras em Angola e no Mundo. Como sabemos o professor pode actuar em diferentes níveis de ensino, infelizmente apesar da sua versatilidade ainda não recebe o essencial para sobreviver com os 14 ou 7% dos descontos que respondem o IVA. Ademais, foi necessário falarmos da remuneração dos professores, para justificarmos a razão do pula a pula de alguns docentes. Não se escandalize, conhecer o salário dos professores é uma das formas de saber se uma carreira é valorizada ou não no mercado. Falai a verdade, porque a verdade liberta.

Forma de citar o artigo.

TCHIPESSE, M . F (2021). Professor ambulante, aluno vagabundo. Brasil: webartigos.[consult. 24.de November de 2021]. Disponível em: https:// www.webartigos.com, Acessado em: _____/____/______

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